“Abeiramento”: aproximação e distanciamento como experiência estética

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Resumo

Busca-se neste textoperfazer um movimento de descolonização de algumas noções de arte que são tidas como hegemônicas, por meio de uma problematização de alguns paradoxos da arte contemporânea, que se aproxima da vida, ao mesmo tempo em que é tida como hermética para o grande público, e que busca desmistificar noções tradicionais, tais como as de “gênio”, “inspiração” e “virtuosismo”, ao mesmo tempo em que impele o público a adotar o conceitualismo. Também, faz-se aqui aproximações a algumaspropostas artísticas que consideramos “abeirais”, corroborando um tipo de pluralismo que, ao mesmo tempo em que dialoga com as noções hegemônicas, independe da noção de arte euro-estadunidense, imposta pela colonialidade.Palavras-chave: Abeiramento. Descolonização. Arte contemporânea. Pluralismo.

Biografia do Autor

Francesco Napoli, UFMG

Graduado em História pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Universidade Federal de Ouro Preto e Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor titular da Universidade Salgado de Oliveira. E-mail: francesconap@gmail.com. ORCID: 0000-0002-4254-9507.

Yacy-Ara Froner, UFMG

Graduada em História pela Universidade Federal de Ouro Preto, Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo e Doutora em História Econômica pela Universidade de São Paulo. Professora titular da Escola de Belas Artes da UFMG e do Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da UFMG. Coordena o grupo de pesquisa ArCHE (Ambientes - Arte, Conservação e História). E-mail: yacyara.froner@gmail.com. ORCID: 0000-0002-5675-6945.

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Publicado

2022-02-05