"Macacos" e sua justaposição à narração:

Autores

  • Chrislen Ribeiro UFOP

Resumo

O texto dramático Macacos (2022), de Clayton Nascimento — que também assina a encenação e a atuação do espetáculo de mesmo nome —, apresenta episódios fragmentados que evidenciam violências sofridas pela população negra, especialmente no Brasil. Este artigo analisa os recursos utilizados para transmitir experiências do ser negro, articulando a peça à encenação e às práticas narrativas tradicionais africanas; pareados ao conceito de teatro pós-dramático de Lehmann (2017). A obra combina elementos dos gêneros dramático, lírico e épico, sendo este último central em sua construção. Os traços épicos ressaltam a crise da narrativa, antecipada por Walter Benjamin (1987), associada à perda da experiência como forma de transmissão do saber. A partir do diálogo com a noção de dramaturgia negra proposta por Soraya Patrocínio (2021) e com as tradições narrativas africanas descritas por Amadou Hampâté Bâ (2010), observa-se como Macacos (data) rompe com formas contemporâneas de compartilhamento de informações esvaziadas de historicidade, contribuindo para o enfrentamento das estruturas de violência racial. A peça revela a potência da narração e do encontro teatral como práticas de denúncia, principalmente em relação a temas como a violência policial e o acesso desigual à educação no Brasil. Palavras-chave: Macacos. Clayton Nascimento; Dramaturgia negra; Tradições africanas; Narrativa.

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Publicado

2026-07-01