(Des)ocupar a violência:
As danças "Deixa arder" (2017) e "Lasciva" (2018)
Resumo
Este artigo analisa obras brasileiras de dança que, por meio da proximidade e da distância exacerbadas em relação ao público, demonstram como a violência é uma prática espacial e social. Em Lasciva, Regina Parra e Bruno Levorin partem dos retratos das pacientes histéricas do Hospital Salpêtrière para criar uma coreografia para duas performers, na qual, aos poucos, elas se protegem do olhar do público. Já em Deixa Arder, o acúmulo e o empilhamento de gestos que remetem à docilização do corpo negro resultam em uma proximidade excessiva, quase repulsiva, com o/a espectador/a. O artigo observa como as obras subvertem fragmentos violentos da história, recusando uma reescrita purificadora do passado e encontrando nele ferramentas contraditórias de agência. A tentativa de uma proximidade extrema com esse passado revela sua precariedade e incompletude, manifestadas na simplicidade dos materiais cênicos e na escolha da dança como modo de transmitir a memória de forma plural e involuntária, o que permite expor um passado ambíguo, no qual violência e sobrevivência se entrelaçam. Palavras-chave: Proximidade; Distância; Imagem; Performance.Downloads
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